13 outubro 2013

Formação - Pacto pela Alfabetização na Idade Certa

Nos dias 09, 10 e 11 de outubro de 2013, aconteceu, na Universidade Estadual Paulista (UNESP - Campus de Marília) , o III Encontro de Formação dos Orientadores de Estudo do Programa "Pacto Nacional Pela Alfabetização na Idade Certa" (PNAIC).
Refletimos juntos sobre como a noção de gênero vem sendo pensada, a partir do final da década de 80 e no decorrer dos anos 90, e também como aparece no contexto atual das discussões sobre ensino de língua como conteúdo que possibilita reunir vários dos resultados de pesquisas e de reflexões anteriores já concebidos como consensuais na área. Os PCN - Parâmetros Curriculares Nacionais (Brasil, 1997, 1998a, 1998b), à parte as críticas a eles endereçadas, aparecem, então, como um excelente documento de síntese destes pontos, estruturando uma proposta de ensino que em sua maior parte é bastante coerente.
Discutimos também que o surgimento da noção de gênero nos termos em que está posta atualmente, entretanto, é extremamente recente, havendo ainda muito a ser clareado por meio de pesquisas e discussões. Na verdade, dentro das tendências teóricas já estruturadas na Linguística, as abordagens para este assunto florescem, sem que, contudo, se tenha resolvido questões terminológicas e mesmo epistemológicas complexas. A compreensão da natureza da linguagem como comunicativa ou como enunciativa, acrescendo-se o fenômeno da transdisciplinariedade na discussão sobre gênero, faz com que termos como discurso, texto e enunciado recebam incontáveis sentidos. (...)
UM CONCEITO DE GÊNERO PARA O TRABALHO DIDÁTICO
O ensino de língua como tem sido desenvolvido tradicionalmente nas escolas acaba por desestruturar a competência comunicativa do aluno, uma vez que, centrando a reflexão sobre os aspectos formais, retira da linguagem a sociedade e a interação. Os estudos na área, principalmente com relação ao ensino de redação, tecem esta crítica há muitos anos, sendo exemplar o trabalho de Pécora ao afirmar, já em 1981, que: “(...) os problemas de redação escolar constituem, sobretudo, os efeitos da cristalização de uma atitude que retira a escrita da linguagem e esta do mundo e da ação intersubjetiva (...)” (p. 119). (...)
O que se tem estabelecido como consensual é o fato de que a língua, do ponto de vista de sua práxis, reflete, através do gênero principalmente, os padrões culturais e interacionais da comunidade em que está inserida. É neste sentido que, por exemplo, as formulações de muitos autores, embora partindo de bases teóricas diversas, concordam neste aspecto. Em dois destes trabalhos bastante conhecidos, por exemplo, os gêneros são vistos como:
(...) estruturas discursivas (...) modos de organização de informação, que representariam as potencialidades da língua, as rotinas retóricas ou formas convencionais que o falante tem à sua disposição na língua quando quer organizar o discurso. (Marcuschi,1996, p. 4)
(...) produtos culturais, sociais e históricos, que passam a existir a partir de determinadas práticas sociais. (Paredes Silva, 1997, p. 89) Fonte
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